Ao procurar uma casa de repouso, lar de idoso ou residencial sênior, muitas famílias se deparam com o termo “grau de dependência”. Mas o que isso significa? E como pode ajudar na escolha do melhor residencial para o idoso?
É importante ressaltar que a idade por si só não define dependência. Há casos em que, por exemplo, duas pessoas da mesma idade podem precisar de cuidados muito diferentes, pois uma pode conseguir realizar sozinha diversas atividades do dia a dia, já a outra pode necessitar de ajuda para realizar atividades tais como tomar banho, se alimentar ou se movimentar. O ponto principal é compreender o que cada pessoa ainda consegue fazer com autonomia, como também qual apoio precisa receber.
O que é grau de dependência?
No Brasil, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estabelece três graus de dependência para orientar o funcionamento das Instituições de Longa Permanência para Idosos, as ILPIs, também conhecidas como lar de idoso, casa de repouso ou residencial sênior.
Essa forma de olhar para o cuidado está alinhada à Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), da Organização Mundial da Saúde (OMS). A CIF considera a funcionalidade da pessoa em seu contexto, incluindo o ambiente em que ela vive. Assim, além de identificar dificuldades, é importante observar os recursos que podem ajudá-lo a participar da vida cotidiana. A avaliação considera especialmente as atividades básicas, como tomar banho, vestir-se, usar o banheiro, levantar-se, manter a continência e alimentar-se. A equipe também observa atividades mais complexas, como administrar medicamentos, preparar refeições e cuidar do dinheiro.
Quais são os três graus de dependência?
Grau I: pessoa idosa independente
Uma pessoa realiza suas atividades de autocuidado sem depender da ajuda de outra pessoa, mesmo que utilize equipamentos de apoio, como bengala ou andador. Independência não significa ausência de necessidades. Convivência, segurança, atividades sérias e atenção à saúde são importantes em um residencial para idosos.
Grau II: ajuda em até três atividades de autocuidado
A pessoa precisa de ajuda em até três atividades do dia a dia, como alimentação, mobilidade ou higiene. De acordo com a definição da Anvisa, não apresenta comprometimento cognitivo ou apresenta alteração cognitiva controlada. É importante identificar em quais tarefas a ajuda é necessária. Alguém pode precisar de ajuda para o banho e continuar capaz de escolher suas roupas, manifestar-se e participar das decisões sobre sua rotina.
Grau III: assistência ampla ou comprometimento cognitivo
A classificação inclui uma pessoa que necessita de assistência em todas as atividades de autocuidado da vida diária, ou apresenta comprometimento cognitivo.
Por isso, avaliar o grau de dependência vai além de verificar se a pessoa caminha ou usa cadeira de rodas. Cognição, segurança e necessidade de supervisão também fazem parte da análise. Em qualquer grau, suas preferências e capacidades preservadas devem ser respeitadas.
Como o Bella Vita Residencial Sênior avalia a funcionalidade?
A equipe observa a rotina da pessoa idosa, verificando o que ela faz sozinha, quando precisa de orientação ou supervisão e em quais atividades necessita de ajuda física. Também considera os históricos de saúde, mobilidade, cognição e possíveis mudanças recentes.
No Bella Vita Residencial Sênior, utilizamos o Índice de Barthel como um dos instrumentos para fazer esta avaliação. Desenvolvido por Florence Mahoney e Dorothea Barthel, esse instrumento avalia dez atividades relacionadas ao autocuidado e à mobilidade. Entre elas estão alimentação, banho, higiene pessoal, vestir-se, uso do banheiro, transferências entre cama e cadeira, deslocamento, uso de escadas e controle intestinal e urinário. O resultado possibilita registrar o nível de ajuda necessário em cada atividade e a acompanhar mudanças na capacidade funcional.
Por exemplo, dizer que uma pessoa precisa de ajuda para se locomover, diz pouco sobre a sua rotina real. O Barthel ajuda a distinguir se ela consegue se transferir da cama para a cadeira, deslocar-se e usar o banheiro, além de mostrar em quais dessas tarefas necessita de auxílio.
O Barthel não define sozinho o grau I, II ou III da Anvisa. A classificação exige uma avaliação individual mais ampla, inclusive da cognição e da necessidade de supervisão. Outros instrumentos, como as escalas de Katz e de Lawton e Brody, também são referências para compreender, respectivamente, atividades básicas e tarefas mais complexas da vida diária.
É importante destacar que o grau de dependência pode mudar. Após uma internação, por exemplo, alguém pode precisar de mais auxílio por um período e recuperar capacidades durante uma reabilitação. Por isso, avaliar a funcionalidade é tão importante quanto conhecer a chegada.
Por que essa informação é importante para a família?
Conhecer o grau de dependência ajuda a planejar os cuidados, organizar a equipe e explicar à família o apoio necessário naquele momento. Ao visitar uma casa de repouso em Florianópolis, vale perguntar como a instituição avalia cada residente, acompanha mudanças e adapta o cuidado quando surgem novas necessidades.
No Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, a OMS coloca a capacidade funcional no centro do envelhecimento saudável. Essa perspectiva reforça que o cuidado deve olhar também para aquilo que uma pessoa deseja e consegue fazer, considerando o apoio disponível e o ambiente ao seu redor.
No Bella Vita Residencial Sênior em Florianópolis, entendemos que avaliar a dependência é considerar necessidades sem deixar de enxergar possibilidades. Seja qual for o grau, o cuidado deve oferecer a ajuda necessária, preservar escolhas e apoiar a melhor qualidade de vida possível.
Para saber mais sobre estes e outros conteúdos importantes para a longevidade, é só acompanhar nossas redes sociais através do endereço @bellavitasenior.
Maitê Oliveira Souza, Diretora do Bella Vita – Setembro,
2026
Obras consultadas
1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 502, de 27 de maio de 2021.
2. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Pessoa com Demência: avaliação funcional.
3. Mahoney, FI; Barthel, DW. Avaliação funcional: o Índice de Barthel . Maryland State Medical Journal, 1965.
4. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF).
5. Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatório mundial sobre envelhecimento e saúde . 2015.
6. Lawton, MP; Brody, EM Avaliação de idosos: atividades de vida diária autossustentáveis e instrumentais . The Gerontologist, 1969; 9(3): 179 –186.